Ser quem se é...


                         E só pra constar, aquilo ali embaixo não é reclamação, não. Eu estou feliz, muito feliz. Estou amando, namorando muito, cheia de planos, cheia de sonhos, cheia de quereres, cheia de vida. Vou ter que rebolar muito para pagar minhas contas (socorro!!!); trabalhar; estudar; correr; fazer ginástica; namorar; cuidar da alma na Federação; encontrar com os amigos; estudar o que quero (além da faculdade)... é muita coisa, mas como diz meu amor: eu estou com o pau na testa!!  



Escrito por Eli às 21h37
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                         Agora já estou sozinha em minha casa. Não sozinha por falta de companhia - o que também não é mentira - mas sozinha pois a Silvia, minha ex-companheira de casa, já foi embora para a nova vida dela. Como tudo, ficar só tem o lado bom e o ruim, e por mais estranho que pareça, a mesma coisa tem os dois lados. É muito ruim não ter com quem conversar o dia todo, sendo que isso também é muito bom; é muito ruim não dividir comida (e seu cozimento, há!) o que também é muito bom; e várias outras coisas que não estou lembrada agora.

                         Bem, dessa ladainha toda o que importa é que hoje estou achando ruim ficar só. Namorei a manhã inteira, muito bem namorado; falei no telefone com a mãe; fui na Federação Espírita receber um passe e fazer orações; fui ao supermercado comprar 4 ítens importantes que faltavam (e como falta coisa!); fui até o Parque da Aclimação caminhar (apenas fui, póis andei tanto pra chegar até lá que quando cheguei já voltei), arrumei a casa que estava um banzé depois de uma noite de muita agitação na cozinha (eu fiz um carpaccio de legumes e o meu amor um doce árabe que não me arrisco a falar o nome), e mesmo assim senti minha tarde vazia. Não é falta de nenhuma pessoa específica, é falta de gente em geral. Por incrível que pareça estou feliz em voltar a trabalhar amanhã. Sou louca???

                        



Escrito por Eli às 21h01
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Tenho um solado estampado nos fundilhos...

                   Queria escrever, mas não tenho inspiração agora. Estou passando por um momento difícil (mas quem não está?) que ao mesmo tempo que me impulsiona me tira todas as forças do corpo. Estou amando intensamente uma pessoa que está se esvaindo de minha vida. Não, ele não está morrendo, está apenas me dando um belo pé nos fundilhos, e isso dói bagaraio. O interessante é que eu tenho certeza que ele também me ama. Ridículo, né? Também acho, mas vai explicar!       

                   Minha vida nova - que completou um mês esta semana - está tão cheia de altos e baixos emocionais que chega dá frio na barriga. Estou apavorada com a possibilidade de ficar sem o homem que amo depois de tê-lo tido aqui, marcando meu território, que na verdade é dele, pois meu coração está marcado como se com ferro a brasa ele tivesse aqui entrado. Antes estava mais fácil pois eu não o via a cada olhada para a cama, a pia, ou o chuveiro. Eu não tinha seu cheiro em meu travesseiro, apesar de ter minha alma perfumada por ele. Altos e baixos porque ele me deu os momentos mais felizes dos últimos anos (e olha que eu fiz coisas legais nos últimos anos! Sozinha, mas fiz) e também os momentos mais tristes (tiro daqui três mortes, pois a dor é diferente, incomparável).

                    Depois de passar dois finais de semana sozinha e muito, muito triste - embora não o confesse além daqui - tenho procurado encher meus dias de afazeres. Sair com amigas que não via há tempos, com algumas que não conhecia pessoalmente, apenas aqui pela net através de meu finado blog, com amigos que vejo todos os dias, com amigos com quem estudo. Tenho recebido amigas em quem confio (na minha separação herdei a prima de meu ex marido. Voilá!), e estudado, estudado, trabalhado, trabalhado. Quando não tenho muito o que fazer, nem com quem fazer, eu limpo. Olhe só! Minha casa estava um brinco até semana passada, quando ele como fênix retornou das cinzas e atendeu a um de meus chamados desesperados por atenção. Sim, ele fez isso. Um grandecíssimo filodaputa é o que ele é. Entrou em contato comigo, nos encontramos, namoramos muito e depois ele foi embora de novo. Dando explicações que para mim nada serviram ou aplacaram.   

                    Estou dilacerada. Eu já sabia que doía, mas tinha me esquecido o quanto. E o pior, o pior, é que eu sei que ele gosta de mim. Impossível conseguir nossa intensidade apenas com banalidades. Não, nós éramos intensos, e ornávamos bem.

                    Depois eu conto como ele veio parar em minha vida e quando. Hoje só quero saber de pensar em como ele está saindo de minha vida.

                



Escrito por Eli às 00h23
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Transformação pequena é bobagem...

                                   O que mais senti diferença nesta minha última semana não foi o dormir sozinha (isso já estava acontecendo há muito), não foi o não ter com quem conversar quando chego da faculdade, não é o silêncio, que chega a fazer barulho, não, nada disso. O que mais senti diferença foi no tempo que me sobra. Eu vou trabalhar à pé em 25 min, eu volto da faculdade à pé em 10 min, tem praticamente uma "feira" na esquina de casa (os camelôs de frutas), e outras facilidades mais. Muito mais qualidade de vida pelo fato de não gastar 3 horas diárias no percurso casa/trabalho; faculdade/casa.

                                   Ainda não consegui pensar direito. Ainda não consegui, nem de longe, criar uma mínima rotina e disciplina. Ainda me sinto perdida e intrusa. Ainda tenho um buraco no peito, uma vala, um fosso, um hiato, um sei lá o quê. Hoje não estou muito feliz, aliás, hoje não estou feliz. Normal. Este será meu primeiro final de semana sozinha aqui (até dezembro eu divido o apto. com uma amiga). Vou comprar uma garrafa de vinho. Preciso chorar sozinha e tenho impressão que pra verter a água salgada pra fora, terei que verter o vinho pra dentro. E pra me precaver de bobagens vou deixar meu celular descarregar completamente.

                                   Hoje tive medo de ficar só - não estou falando de relacionamento amoroso, veja bem. Pensei no tamanho de minha família: mãe, três irmãos, três sobrinhos, duas cunhadas. Sinto-me distante, muito distante deles. Pensei em todos os meus amigos com quem posso contar - conta-se nos dedos as pessoas com quem realmente podemos contar. Pensei em todos os amigos que, na separação, ficarão com meu ex-marido. Pensei em todos que pela graça de Deus não precisarei mais ver - estes são poucos. Pensei nos amigos que ainda vou conhecer, naqueles que vou retomar, naqueles que vou apertar laços...

                                   É! A vida dá voltas, muitas voltas e a gente tem que estar preparado pra não cair quando estamos nos períodos de mudança (seja quando estamos indo abaixo ou quando estamos subindo). Lembro-me de uma carta de tarô, chamada roda da fortuna, onde a figura está sentada placidamente na parte de cima da roda, se agarrando à ela quando na lateral e com cara de alívio quando embaixo - apeser de ser embaixo. Nada permanece imutável, e as voltas nos deixam pendurados no vácuo. São os períodos de mudança que nos tiram do chão.  Eu estou sem chão no momento e espero sinceramente que esteja na parte da roda que está subindo. Ainda não estou preparada pra tudo. Fato.



Escrito por Eli às 00h46
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E a vida se transforma...

                              Neste exato momento estou escrevendo de minha nova casa, sentada confortavelmente em minha cama e acariciando com os pés a colcha - maravilhosa - que comprei hoje. Dia 12 de outubro de 2011, às 16 horas. Exato momento em que minha vida se transformou. Exato momento em que deixei a casa onde vivi por 10 anos com a pessoa com quem vivi por 19 anos. Uma mochila nas costas, muitas lágrimas nos olhos, pernas que tremiam e a certeza de que nunca mais dormiria naquele lugar que, durante tanto tempo, foi meu porto seguro. Acredito que nunca tive tanta certeza em relação à uma decisão, sabendo que consequências adviriam dela (todas ações geram consequências, a vida é consequência). A decisão tinha sido tomada há muito, faltava apenas a atitude, que não podia mais ser protelada.

                              Uma separação é sempre difícil, mas eu não imaginava o quanto. Ver uma pessoa chorando por amor, pedindo respostas que você não pode dar, não porque não queira, apenas porque as respostas que te bastam não satisfazem o vácuo que fica na alma do outro, acredite, é uma das piores sensações da vida. Preferia ser odiada do que causar esta dor. Mas em mim também doía e não era pouco, afinal, eu vivi mais ali do que fora. Comecei a namorar com 17 anos, isso quer dizer que passei mais da metade de minha vida com ele. E diga-se que a metade anterior não conta pois eu era praticamente uma criança. Doía deixar o conhecido e doía o medo do novo. Mas eu queria. E fiz. E agora estou aqui.

                              Uma das primeiras sensações foi a de não saber quem sou exatamente. O que é meu e o que é influência? Sei que ainda sou o que escrevi há 6 meses, mas também sou algo que não conheço ainda. Uma coisa eu já sei: eu consigo e gosto de ficar em silêncio, sem TV, ou músicas, ou falas, o silêncio está deliciosamente cantando para mim. Ouço apenas o tictac do relógio na cabeceira da cama. Canção de ninar que me traz lindas lembranças. Minha vida está transformada em algo tão grande que eu nem ouso tentar identificar agora.

                              Eu preciso mesmo é de tempo. Tempo para ficar só. Tempo para escutar, além do tictac, o que diz meu coração.



Escrito por Eli às 23h57
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Ser quem se é...

                         Nós somos exatamente as coisas das quais gostamos. Não adianta fingir ser o que não se é, ditado antigo já diz que "mentira tem perna curta" e ninguém consegue sustentar por muito tempo - bem, pelo menos eu não consigo. Isso não significa que não sejamos vários. Vários ao mesmo tempo e vários durante várias épocas de nossas vidas. A maturidade nos transforma (pelo menos esperamos que sim) sempre, então acrescentamos coisas, excluímos outras que não cabem mais, afinal, somos permeáveis e mutáveis. 

                         Então neste primeiro post vou falar quem eu sou através das coisas que gosto e faço neste exato momento. Se amanhã eu acordar outra te conto, tá?. 

                         Sou Áries com ascendente em Aquário. Sou impulsiva. Sou ansiosa. Sou amiga. Sou dada.

                         Sou Saramago, Lúcia Etxebarria, Gabriel Garcia Marques e Mário Vargas Llosa. Tento ser Umberto Eco, mas não consigo. Sou Maurício de Souza e Maitena. Sou livros de sebos e emprestados. Sou guias de viagens e revistas de corrida. Tenho amor pelas palavras.

                         Sou Zeca Baleiro, Nando Reis, Zélia Duncan e Marisa Monte. Sou Jamie Cullum. Sou música em todos os poros de meu corpo. Sou The Coors e Pink Floyd. Sou rock. Chego a ser samba, mas nunca pagode.

                         Sou Almodóvar com todos os dramas e cores. Sou vermelho. Sou uma mulher à beira de um ataque de nervos. Sou Woody Allen e Coppola. Também sou blockbuster, mas com menos frequência.

                         Sou corrida e musculação. Sou boné e óculos escuro. Sou suplementos de todos os tipos: proteínas, aminoácidos, estimulantes. Não sou dooping. Sou preocupada com alimentação, mas não neurótica. Gosto de churrasco e comida macrobiótica. Sou maquiagem e perfume lancôme. Sou salto alto e vestido de segunda a sexta e jeans e camiseta aos finais de semana. Sou cabelo lavado e solto ao vento. Sou leão sem me preocupar com isso. Sou olhos verdes que precisam de óculos.

                        Sou vinho tinto e seco, chileno e italiano. Sou pães e queijos. Sou sorvete de chocolate, sou mousse de chocolate, sou bolo de chocolate, mas por incrível que pareça não sou chocolate em barras. Sou Twix. Sou leite, muito leite desnatado. Sou arroz, feijão, bife e salada. Sou proteína depois do treino. Sou todo tipo de frutas, menos figo. Sou olfato e paladar. Sou toque de olhos fechados.

                         Sou Veneza, aliás, sou Itália inteira - até mesmo as cidades que AINDA não conheço. Sou Chapada Diamantina, sou Ilha Bela, sou mais montanha do que praia, mas sou mar. Sou cheiro de mato, sou gente passando, sou mesas nas calçadas. Sou outono, de céu azul e temperatura agradável. Também sou primavera das flores. Sou andar sem direção, sou tomar café depois do almoço. Sou São Paulo, minha querida cidade. Sou o Páteo do Colégio, Mercado Municipal e Catedral daSé. Sou o Café da Fazenda e almoços na Liberdade.

                         Sou meus amigos com muita intensidade. Sou sentar em um bar, tomar uma cerveja e bater papo atéééééééé... Sou colcha de retalhos nesse sentido, unindo as mais variadas pessoas. Sou uma pessoa em quem você pode confiar. Não sou tão presente quanto eu gostaria, mas rezo todos os dias por aqueles que amo, e eu amo muita gente. Acho muito fácil amar as pessoas. Tento diminuir meus preconceitos a cada dia e acredito que hoje tenha bem poucos. Não fale comigo gritando, eu não escuto e ainda revido. Não se faça de vítima.

                         Sou trabalho árduo e constante. Sou perfeccionista e isso me atrapalha muito. Sou muito estudo. Sou filosofia e sociologia. Não passo nem perto de matemática, apesar de ser ótima em problemas lógicos (vai entender!). Detesto inglês, mas logo, logo, volto a estudá-lo. Prefiro as línguas latinas. Sou amante das Leis e de contestá-las. Queria todo conhecimento do mundo, mas sinto-me cada vez mais ignorante. Procuro sempre ser o melhor no que faço.

                        E isso não significa nem 1/10 do que poderia me descrever.             



Escrito por licamoura às 15h20
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