Se não for comédia... É tragédia!!!


Álvaro de Campos
 
Poema em Linha Reta
 
Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo. 

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo.
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo. 

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó principes, meus irmãos, 

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo? 

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra? 

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza. 

 
 
 


Escrito por Lica Moura às 20h05
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O FANTÁSTICO MUNDO DO PAULO COELHO

 

O Fantástico Mundo de Paulo Coelho, é uma terra onde várias pessoas moram, vivem, passeiam. Eu nunca fui lá. Não sei onde fica. Já tentei conseguir um mapa, uma indicação, mas não soube onde adquirir. Dizem que apenas as pessoas nascidas para essa terra têm acesso. Uma espécie de Canaã dos tempos modernos, a Terra Prometida.

No Fantástico Mundo do PC (vou abreviar), as pessoas não erram nunca, ou melhor, erram, mas se arrependem no ato e conseguem se redimir a tempo de não causar estragos. Lá é muito feio apresentar-se como um ser humano normal, com sentimentos e atitudes de humanos. Com os defeitos dos humanos. Nunca nenhum egoísta, nenhum magoado, ninguém fere ninguém, ninguém sai da linha.

 No Fantástico Mundo do PC, as pessoas sabem a hora certa de tudo, são o exemplo da moral e dos bons costumes.

Eu, ser humano de carne, osso e emoções que sou, não preciso nem dizer que da porta de Canaã eu não passaria. Eu erro. E na maioria das vezes não percebo na hora, então, lá está o estrago pronto e acabado. Eu sinto raiva. No trânsito, no serviço, em casa. Tá bom, eu também tenho raiva de políticos, de boyzinhos que colocam fogo em índios ou espancam mendigos no centro, de propagandas enganosas, mas isso não me redime.

Eu, poço de virtudes ao avesso, falo se não gostar do seu cabelo, da sua roupa, da sua atitude, bem, às vezes as pessoas têm atitudes das quais eu não gosto e também não falo. Mas isso é por opção, não por vergonha ou para manter política da boa vizinhança. E no Fantástico Mundo do PC, as pessoas não dizem o que pensam na maioria das vezes, pois isso poderia magoar o próximo. E onde já se viu??? Melhor sair com o coração em frangalhos do que dizer: “Não gostei disso!”.

Eu sei amar, querer bem ao próximo, adoro pessoas e adoro saber que elas estão bem. Sei ser sensível ao que importa. Sei me doar quando necessário, e cada dia eu aprendo um pouco mais nesses quesitos. Apesar de toda boa vontade, no Fantástico Mundo do Paulo Coelho, eu nunca serei bem vinda. No fundo, no fundo eu não acredito nesse mundo tão pregado e propagandeado. Não acredito em pessoas que não sentem como um ser humano normal. Não acredito em pessoas que não admitem errar.

E por favor, eu não estou falando de quem lê e gosta de PC, afinal, eu, ser humano normal que sou, também leio PC até nas coluninhas da Folha. Estou falando de quem não vive na realidade.

Qualquer dia desses, eu coloco meu dedão na minha própria cara e desembucho todo meu lado humano. Para curar a maior parte das infecções, na maioria das vezes é necessário reabrir as feridas. E eu não tenho mais medo de sentir dor.

Beijos.



Escrito por Lica Moura às 18h05
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MEU "DESCONTROL CAMELÔ"

 

 

                     Maio estava sendo um mês difícil. Começo com o pé colorido roxo-manicure-carniceira (auto explicativo). . Segue-se essa semana a queda-do-pedestal-adeus-mundo-da-Alice, que jogou minha auto-estima no fundo do poço (ainda bem que já recuperei 180% dela). Fechando as mazelas com chave de ouro, uma louca vontade de fazer sexo-louco-animal-descontrol bem quando o marido esta viajando. É , a matéria-prima sempre está distante quando mais precisamos dela.

                     Mas hoje,  resolvi passear no Centro para abstrair minha mente. Bem devagar, relaxada, prestando atenção em tudo, vagabundeando pela região da Praça da Sé como só eu consigo fazer (meus amigos morrem de medo). Eu amo o Centro, os tipos esquisitos (me incluo aí, dada a vestimenta do dia), os tipos normais, aliás, todos os tipos. Acho as construções lindas (embora quase todas carecendo restauração). Os prédios, as janelas, portas, detalhes, que quase ninguém repara. Sou louca por Sebos, de livros, discos, móveis e roupas. Consigo passar horas observando 2 prateleiras, eles me abduzem completamente.

                     Hoje o capítulo é dedicado aos camelôs. Reparo em tudo que fica nas barraquinhas ou no chão: meias, cds, comidas, bolsas, roupas, ralos de pia, ralos de pé, capa de celular, incenso, plantas, controles remotos, pilhas, colas super-bonder, bonecas, escovas de dentes, de roupas, de cabelos, canetas, guarda chuvas, óculos escuros, relógios de pulso ou despertadores, etc... Apesar de olhar TUDO quase não consumo nesse tipo de comércio, mas hoje foi maior do que eu e minha necessidade de economizar. Minhas aquisições:

                     1- Livretos de Literatura de Cordel: "Os Três Conselhos da Sorte" de Manoel D'Almeida Filho e, "Já Bebi não Bebo Mais! Bebo até Lascar o Cano!" de José Pacheco. Quem diria camelô de cordel, achei o máximo, estavam lá penduradas no barbante e tudo. Me fez pensar na decoração de minha casa, combinando com os bonequinhos do Mestre Vitalino. O máximo mesmo, ele tinha vários do Zé Pretinho, vou voltar. Aliás, já as li no coletivo.

                     2- Garrafada Especial Pega-Rapaz: me senti em Manaus olhando aquela barraca de ervas. Cheirei tudo, perguntei tudo, morri de rir e me encantei com as garrafadas. Tinha pra anemia, pro coração (será que pro quebrado também?????), pra cansaço físico, mental e sexual (com o detalhe do halterofilista desenhado no rótulo), pro fígado e claro, a minha pega-rapaz. Essa não é pra beber, mas para usar como perfume (de gosto duvidoso eu confesso!), mas não consegui sair de lá sem ela. Eu queria achar uma garrafada de CORAGEM. Estou precisando tomar coragem para mudar coisas na  minha vida, deixei encomendada com o barraqueiro.

                     3- 02 cachecóis e 01 luva: reparei que os camelôs estão cheios deles. Deve estar na moda. Eu que amo, adoro, chales, cachecóis e tudo mais que possa me enrolar fiquei "bloqueada" por um tempinho. As pessoas vão dizer que eu uso porque está na moda e não é verdade! Eu uso porque gosto mesmo, há anos adquiri essa mania e só largo no verão porque não agüento. Ainda bem que não ligo (muito) pro que os outros pensam (pelo menos nesse departamento). Um tem riscos prateados, numa mistura de cores vermelho com azul...sei lá...diferente, mas meu. Outro básico xadrez, bem "escocês" (direto da China). Muito lindos. Amei!! Minha luva é um caso à parte, um dedo de cada cor: preto, amarelo, vermelho, verde e azul. Minha cara.

                     4- Um porta crachás básico (pink) pra minha chefe morrer que raiva.

                     Vi um camelô de orquídeas, fui totalmente hipnotizada por ele, mas meu lado ecochatíssimo (sim amigos, reconheço que às vezes exagero) falou mais alto, aliás, gritou na minha consciência e eu reproduzi igualzinho pro dono da banca: ISSO TEM CARA DE PÉ-DE-MORRO...DE QUE LUGAR DA MATA ATLÂNTICA VOCÊ ARRANCOU????? Quando ele me respondeu orgulhoso: perto de Ribeirão Pires, quase tive um chilique, mas lembrei que ainda não passei no concurso do IBAMA e saí chutando o chão.

                     O mais legal de tudo foi me divertir muuuuuito sozinha, quer dizer, com aquelas pessoas que nem conheço. Rir, conversar, sentar com o pintor de quadrinhos, ficar olhando partida de xadrez, deixar o mendigo cantar uma música segurando na minha mão e olhando nos meus olhos, tudo muito simples, muito à mão e muito esquecido pelo povo. Fiquei feliz, não pelas compras, mas pela certeza de que preciso muito pouco. Ganhei o dia, a semana, o mês. Eu me abati por muito pouco. Nunca mais fico no fundo do poço, porque quando eu lá cair, vou pra rua onde o camelô me puxa e o mendigo me joga pra cima, e me deixa flutuando nas nuvens...

 

 



Escrito por Lica Moura às 15h11
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Texto antigo, o único que se salvou do meu outro blog que eu assassinei (o que a mina pensa). Por increça que parível, super atual. 

 

A MULHER QUE NÃO SABE PONTUAR.


Não consigo mais pontuar minha vida corretamente. Normalmente eu (pessoa exagerada por natureza) sou sempre pontuada. Ponto de interrogação, por exemplo, nunca vem sozinho pois minhas dúvidas são colossais: "devo comprar a bota preta ou vermelha?????????, devo perguntar o por quê, como, quando, onde, quem????????, ou devo usar a imaginação para o que eu não entendo????? (aviso, isso pode ser perigoso, não esqueça que sou exagerada).
                        Ponto de exclamação então...precisam de muito espaço, pois eu sou dramática, quase uma novela mexicana, cheia de caras e bocas, emoções pululando, transbordando, sendo ejetadas por todos os poros: Meu Deus!!!!!! Não!!!!!!! Nooooossa!!!!!! Não posso perder essa liquidação!!!!! (queima de estoque, sale, bota fora ou seja lá que nome tenha). Vírgula, como legítima ariana eu não uso, quando engato uma 1ª só paro em três ocasiões: se acabar o gás, se bater e quebrar a cara ou se perceber que para ir em frente vou atropelar alguém, caso contrário eu não paro, não descanso, não respiro. Colo um assunto no outro, uma situação na outra e vou indo. Quem entende, entendeu! quem não entendeu, azar!
                        No momento o que está me incomodado é a falta do fim. Não consigo acabar com mais nada, nada mesmo. Coisas básicas tipo abrir um hidratante antes de terminar o outro, ficando assim com no mínimo 6 embalagens de diferentes produtos abertas ( isso vale pra shampoo, creme de pentear, pacote de bolacha, tudo). Livro então tá até engraçado, estou lendo tantos que só não confundo porque tem histórias bem distintas: Código da Vinci, Pensar é Transgredir, Ninguém Escreve ao Coronel, A República de Weimar. Não consigo chegar à última página, e tem uma pilha me esperando: Me Conforte com Maçãs; Nós que não Somos Como as Outras; Ciúme, Chulé e um Apelido Ridículo; Hoje acordei Gorda.
                        O mais difícil mesmo é pontuar as emoções. Não consigo colocar fim nas neuras, acabar com a ansiedade, dar ponto final definitivo no que dói e me incomoda. Neste final de semana, conversando com um amigo ele me abriu os olhos: o intuito da vida é ser feliz, não podemos barrar a felicidade de ninguém. Quero que a felicidade para mim seja uma reticência sem fim. Quero não ter dúvidas, ser corajosa para pontuar sem medo. Quem nunca errou na gramática da vida?     
                        Não existem regras, não existem livros ensinando, não existem aulas mirabolantes de onde eu saia com uma fórmula anti-esquecimento, nada que me facilite...também...quem quer facilidade? Prefiro a delícia da incerteza, o frio na barriga. O certo mesmo nessa falta de regras é viver tudo intenssamente, cada exclamação com seu respiro, cada dúvida com seu montante de caminhos, e o ponto final, bem... O PONTO FINAL QUE SE FODA!!!!!!!!   


Escrito por Lica Moura às 22h25
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Nós, que não somos como as outras, somos obrigadas a engolir alguns sapos, mesmo que eles desçam arranhando a garganta e fiquem se debulhando no estômago, ainda vivos, porque sapo que é sapo se debate por muito tempo em nosso interior, eles querem ser vomitados, mas nós, que não somos como as outras, não vomitamos assim a torta e à direita.

 

Estou com um sapo boi pendurado em minhas amígdalas. O cara não quer descer por nada neste mundo. E o pior é que por mais que eu acredite ser inteligente, bonita, interessante, legal, (sim, eu também tenho defeitos inúmeros, mas não preciso listá-los quando um sapo está incomodando, tá), alguma coisa me diz que eu sou uma idiota. E intuição feminina é foda. Antítese pura, né? Eu sou assim mesmo. Acostume-se.



Escrito por Lica Moura às 22h19
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Bem, como este é um blog novo, vou começar me apresentando.

Sou uma mulher de 30 anos. Literalmente uma balzaca (eu li o livro, e falo com conhecimento de causa, que não uso o termo de modo pejorativo). Cheia de dúvidas, como a maioria, cheia de medos e tentando vencê-los, também como a maioria. Sem muitos preconceitos (não, não me venha falar que você não é preconceituoso, que eu desminto!). Estou tentando focar um rumo na vida, pois apesar dos vários que já estão enraizados, estou meio perdida. Não consigo me imaginar daqui a 10 anos.

Sou casada, sem filhos. Trabalho muuuuuito, mas não na área que me formei: Turismo. Quero voltar a estudar. Direito. Ou então uma pós em Marketing. Coisas pra decidir depois da metade do ano, quando talvez eu mude de emprego. 

Adoro ler, simplesmente amo os livros. O meu predileto (do momento), chamasse "Nós, que não somos como as outras", de Lúcia Etxebarría, uma espanhola maravilhosa. Recomendo para todos, homens e mulheres. Crianças não. Adorei "Operação Cavalo de Tróia" do Benitez (principalmente o 1º e o 6º volumes). Amo Gabriel Garcia Marquez, do Clássico "Cem Anos de Solidão", até os menos conhecidos. Amo também Isabel Allende, principalmente "Paula", que emociona e diverte ao mesmo tempo. São tantos que não dá pra ficar falando.

Minha outra paixão, são as músicas. Eu me embalo, me conforto, me nino, me impulsiono, com som. Gosto de Buena Vista Social Club, sou viciada em trilhas sonoras (Pulp Fiction, O casamento do meu Melhor Amigo, Duets, Forest Gump, e por aí vai), gosto de rock nacional, gosto de new age, gosto de rock, sou bem eclética.Também adoro o silêncio. Muitas vezes eu chego em casa e não ligo nem rádio nem TV, só quero escutar meu coração.

Normalmente eu sou bem divertida, meio sarcástica, confesso, mas gosto de dar risadas, ótimas gargalhadas. Normalmente eu brinco o dia todo. Só que estou com um "problema", não consigo mais usar a política da boa vizinhança, e se o local não me agrada, não disfarço. Não brinco, não rio, não faço questão de agradar, e levo fama de mal humorada. Pessoas que ainda não me conhecem, nem vão conhecer. Eu prefiro ser sincera comigo mesma, e com os outros também. Crio uma barreira de propósito. E como estou indo em muitos lugares que não me agradam...lá vai minha má fama aumentando.

Não ligo para marca de roupas, uso o que gosto,independente de estar na moda ou não. Gosto de cores fortes: pink, laranja, verdão, mas acabo usando muito preto. Tenho o cabelo comprido, mas acho mulher de cabelo curto um charme. Adoro! Simplesmente perfeitas. Pena o meu ser tão volumoso, senão, já teria passado a tesoura. Gosto de colares, não uso brincos. Gosto de unhas pintadas de vermelho, as das mãos e dos pés também. Gostaria de usar maquiagem e saltos altos e finos, mas não uso nunca. Não é prático pra andar no centro, e minha profissão não exige, então,uso meu bom e gasto jeans com a bota de trilha que é muito confortável.

Não, isso não é tudo de mim. É só um pouquinho do que eu mostro. O que vai por dentro, vcs vão conhecendo aos poucos.



Escrito por Dangereuse às 17h29
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BRASIL, Sudeste, Mulher, de 26 a 35 anos, Música, Livros, Sexo... Não necessariamente, nesta odem.
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