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Te contei que EU estou ME subornando? Não? Então, como eu sei que não gosto de fazer ginástica, de academia e nada, eu me subornei. Agora eu vou fazer uma meta mensal de comperacimento, sendo a mesma cumprida, eu tenho o direito de comprar um presente bem legal, para mim, no início do mês seguinte. Ridículo, né? Mas está funcionando. Se eu for amanhã, já terei direito a um presentinho no começo de março. Iuhu!
Emagreci 3 Kg. Ó só! E estou entrando na calça que sobrou para teste, pois eu dei as outras, mas não era louca de ficar sem nenhuma para testar. Agora só falta conseguir respirar e me mover dentro dela, depois do zíper fechado.
Te contei que mandei Dom Quixote para a putaqueopariu? Ele que vá lutar com os moinhos no caralho, e idolatrar aquela Dulcinéia (que para mim deve ter bigodes) no inferno. Que é isso? Não, não chegou a hora ainda. Deixa lá, um dia, quem sabe. Ontem comprei um livro de Lobo Antunes, aquele escritor portugues, concorrente de Saramago. Definitivamente eu não posso andar a esmo pelo Centro que sou abduzida pelos Sebos. E esse ainda não é meu presente por ir à academia não. Ah! Falando em Centro, semana passada, eu tive que, literalmente, lutar com um rapaz na Praça da Sé, para permanecer em posse de minha bolsa. Você acha? Ainda bem que eu sou meio rata.
Hum! Acho que eu quero fazer um Dia da Noiva, sem casamento, como presente. Bem, deixo a maquiagem pra lá. O penteado também. Hum! Hum! Quero massagem, limpeza de pele, hidratação nos cabelos, mãos, pés, depilação, sobrancelha geométrica...
Escrito por Lica Moura às 22h35
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RUBEM ALVES
Meu "uai-cai"...
Agora, na velhice, minha grande preocupação é o fim do mundo. A Terra está morrendo
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ALGUNS DOS meus livros estão espandongados: lombadas descoladas, folhas soltas, outras rasgadas. Estão assim pelas muitas vezes que com eles fiz amor repetido e furioso. Outros livros estão perfeitos. Nunca desejei fazer amor com eles. De todos os meus livros os que mais amo e que, por isso mesmo, estão em pior estado, são as obras de Nietzsche. Quando li Nietzsche pela primeira vez eu me espantei e disse: "Esse homem passeia por lugares da minha alma que não conheço!" Hoje é meu companheiro. Ele escreveu em alemão. Mas o meu alemão é capenga. Tenho de usar o dicionário como bengala. Com isso perco o essencial: a música da sua escritura. Por isso valho-me das maravilhosas traduções de Walter Kaufmann para o inglês. Para se traduzir Nietzsche não basta saber alemão; é preciso ser poeta. Agora, na velhice, minha grande preocupação é o fim do mundo. A Terra está morrendo. Os cientistas já fazem cálculos acerca dos poucos anos que lhe restam. Convivo bem com a idéia da minha morte. Mas a idéia da morte da Terra é-me insuportável. Até já escrevi um "uai-cai". "Uai-cai" é o jeito mineiro de fazer hai-kais. "Uai", para expressar o assombro ante a vida. E "cai" para exprimir a tristeza de ver cair o que estava lá no alto. Meu "uai-cai" é assim: "O último sabiá canta seu canto... Que pena! Já não há ninguém para ouvi-lo..." Relendo a "A Ciência Alegre" de Nietzsche reencontrei-me com o seu texto mais famoso, aquele em que ele diz que "Deus morreu". E de repente, à medida em que eu o degustava antropofagicamente, o texto foi se apossando de mim, como se fosse vinho. Fiquei meio bêbado. E, na minha embriaguez eu troquei umas palavras. O texto ficou assim: A cena: um louco grita numa praça. Dirige-se àqueles que ali estão. Eles riem e zombam. "O que aconteceu com a nossa Terra?", ele gritou. "Pois vou lhes dizer. Nós a matamos -vocês e eu. Todos nós somos seus assassinos. Mas como é que fizemos isso? Como é que fomos capazes de beber os rios e comer as florestas? Quem nos deu a esponja para apagar os horizontes do futuro? O que fizemos quando partimos a corrente que ligava a Terra à Vida? Para onde ela irá? Vagará pelo Nada infinito? Esse hálito que sentimos, não é o hálito da morte? E esse calor! Os gelos estão se derretendo. Já se vê o cume negro do Kilimanjaro, outrora vestido com a brancura da neve. O mar subirá. O sol está mais quente e mortífero. Temos de nos proteger contra os seus raios. E esse barulho que ouvimos em todos os lugares, o ruído das fábricas, o barulho das bolsas de valores não será, porventura, o barulho dos coveiros que a enterram? O ar que respiramos é o ar da decomposição. A Terra está morta. Nós a matamos. Como poderemos nós, os assassinos da Terra, nos confortar a nós mesmos? A Terra, extensão dos nossos corpos, a mais sagrada, sangrou até a morte sob nossos punhais... Quem nos limpará desse sangue?" Relatou-se depois que, naquele mesmo dia, o louco entrou em várias bolsas de valores, bancos e indústrias e lá cantou o "Réquiem para a Terra Morta". Retirado de lá e compelido a se explicar, a cada vez ele disse a mesma coisa: "Que são esses templos do progresso se não os sepulcros da Terra?"
Escrito por Lica Moura às 21h45
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Vi no blog da Bárbara, deixei um comentário e ela respondeu. Então funciona assim:
Deixe um comentário e eu:
1)Te direi por que visito teu blog (se não tiver visitado, eu pulo essa);
2) Te direi algum fato que me faca lembrar de você;
3) Te falarei o que lembro de quando te conheci pela primeira vez;
4) Vou te associar a um animal/fruta;
5) Perguntar algo que sempre quis saber sobre você;
E como resposta, você precisa postar isso no seu blog.
Vou responder por e-mail a cada um que comentar, certo?
Escrito por Lica Moura às 20h47
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Minha amiga Vivi, (aquela para quem eu fiz uma declaração de amor um dia desses), hoje me mandou uns textos que eu escrevi no finado blog "O que a Mina Pensa". Vou postar aqui novamente, e como estou praticamente às vésperas de completar 32 aninhos, vou começar com um para comparar.
Escrito por Lica Moura às 19h53
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A SÍNDROME DOS QUASE 30
"Acabei de completar 29 anos. Falando assim me sinto jovem, na flor da idade, mas perceba como muda de figura, quando digo que estou no último ano da 3ª década da minha vida. A situação toma uma proporção dramática, assustadora no mínimo.
Não, eu não tenho medo de envelhecer, pelo menos nunca tive, mas começo a pensar a necessidade de mudar algumas coisas na minha vida. Coisas que até agora estavam concorrendo pelo último lugar na lista das prioridades.
Vou começar pelo básico dos básicos: aparência física. Me dei conta disso quando estava me empetecando no salão, minha cabeleireira domando meu cabelo com uma habilidade que eu não consigo nem imaginar em adquirir, eis que surge minha esteticista com um potinho de vitamina C, alardeando a boa nova. Quando eu pego um pouquinho e começo a passar na bochecha ela vem correndo e diz: - "Não Lica, passa nas ruguinhas dos olhos!" . CARA DE NÃO ENTENDI!!!!!!!!! Óbvio que saí de lá com 5 sacolas cheias de creminhos, e o melhor, estou usando todos, religiosamente, como nunca me imaginei fazendo. Imagine! agora passo protetor solar até em dia de chuva. Que orgulho!
Passando para o item academia-me-aguarde, onde devo cuidar do extermínio da celulite-gordura-localizada-e-flacidez tive que acrescentar o cuidando-da-fibromialgia-e-prevenindo-colesterol-e-osteoporose, coisas que nem sonhava quando bebia litros de coca cola e alimentava meu sedentarismo. Devo dizer que já iniciei a ginástica. às segundas eu danço para economizar na terapia e, nos outros dias, malho mesmo. E como angariei uma companhia para as horas de movimento (minha amiga Beta que deve estar beirando os 26) não posso nem sonhar em desistir, preguiçar, dar desculpas, nada! Se não pelo meu corpo, pela minha palavra (bonito, né?).
Estou providenciando uma previdência privada, sei que deveria ter feito isso antes, mas como vencer a necessidade básica de gastar dinheiro com blusinhas, CD's e livros? Eu confesso que era abduzida por todas, todas, todas as vitrines do mundo, e dava total liberdade à minha compulsão consumista. Minhas 59 blusinhas pretas, mais as 32 blusinhas brancas, mais os 83 pares de sapato, entraram em minha vida sem nenhum esforço. Ah! não posso esquecer dos 47 livros que ainda não li.
Agora não, já abdiquei da companhia do cartão e do talão de cheques. Fiz um curso rápido intitulada "Como Resistir a uma Vitrine bem Montada" com especialização em "Como Devolver Produtos nas Prateleiras" e decidi: vou poupar, vou juntar uma grana. Penso até em caderneta de poupança (quem diria!?).
Mas...pensando bem, bem, bem, isso é quase nada. Minha vida vai continuar praticamente a mesma. Meus amigos serão os mesmos - graças a Deus - e outros mais que eu conquistar. Eu continuarei pulando, dançando, agarrando, beijando, brincando, sem me preocupar com os outros. Minhas roupas continuarão esquisitas, molambentas, maloqueiras, com surtos de peruagem, maquiagem, saltos finos altérrimos com lingeries de fechar o trânsito. Continuarei instável, indecisa, histérica, porém, carinhosa e sensível. Continuo procurando o motivo da minha tatuagem, que muda a cada mudança da lua. Meus bichos de pelúcia continuam amados em suas prateleiras, junto das presilhinhas rosa e dos batons de super brilho purpurinados.
Serei sempre a mesma, pois minha essência ariana não é passível de mudanças (além da minha disfarçada instabilidade). Quero ser sempre uma menina. Mesmo com a "maturidade" chegando, não deixarei ninguém ir além da superfície, não por não haver profundidade, mas para deixá-la bem protegida."
Escrito por Lica Moura às 19h51
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Das metas, não metas, de ano novo, estou conseguindo cumprir algumas: não estou fumando, estou fazendo ginástica e acredito que já emagreci uns 2Kg, bem... é só. Ainda não fui fazer as aulas para perder o medo de dirigir, não consigo estudar nenhuma legislação depois de passar o dia INTEIRO lendo petições, então, concurso bom, que é bom, blé!
Contei que fiz uma faxina em minhas roupas, né? Então, minha irmã - que teve um bebê lindo há 10 meses - perguntou o porquê de eu estar dando várias calças jeans praticamente novas e lindas, eu disse que não queria mais ficar deprimida por não entrar nelas. Ela, que não é boba nem nada, resolveu provar pra ver o que ela poderia angariar daquele desfalque que eu fiz nas prateleiras. Eu, ironicamente, disse: "sonha que você vai entrar aí, sonha". ENTROU. E o pior, FECHOU, e o pior de tudo, SEM ENCOLHER A BARRIGA. Eu quase tive um chilique. Como ela faz isso, na minha frente, sem o menor pudor? Ah meu! Vai se catar, né? Teve um nenê (LINDO) há 10 meses, e está entrando nas MINHAS calças, que não são mais minhas porque não me servem. Estou orgulhosa do meu sobrinho (LINDO), e da minha irmã estar magra de novo. Não quero que ninguém confunda, estou chateada por ter engordado, e não por minha irmã ter emagrecido.
Resultado? Preciso colocar entre as metas de ano novo, um melhor controle dos gastos. Sacou? Gastei onde não devia. Descontei na conta bancária, uma insatisfação que em nada lhe dizia respeito. Tudo bem que não foi um desfalque, daqueles beeeeeem desfalques de verdade, foi um desfalquinho, posso assim chamá-lo. Mas agora estou mais insatisfeita ainda, pois gastar meu rico dinheirinho, com algo que me deu um prazer tão momentâneo (que já até acabou), não vai me tornar mais feliz. E isso devo levar para todas as áreas da vida. Problemas profissionais não se resolvem no talão de cheques. Problemas no relacionamento não se resolvem no cartão de crédito. Problemas na balança, muito menos. A FELICIDADE NÃO ESTÁ NA PRATELEIRA.
Escrito por Lica Moura às 19h16
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